Belo poema

Apesar de não ser leitor/escritor assiduo, de vez em quando dá-me um certo gozo procurar por poemas, ler alguma coisa inteligente, escrito por pessoas inteligentes e acima de tudo artistas . A deambular pelos meandros da rede encontrei um verso de Adolfo Correia Rocha (aka “Miguel Torga”), um conhecido poeta ( e médico ) que viveu por Coimbra durante largos anos . De certo que não preciso de dizer mais nada . E isso é bom, revela que de alguma maneira ainda continuamos ( sim, no sentido global) a lembrar-mo-nos das pedras basilares da cultura lusitana contemporânea. Conto-vos uma história, um dos vários episódios da minha vida :Como de costume, todos os anos fazia uma visita ao Professor Doutor Carlos Migueis, um grande otorrinolaringologista dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Como era normal, ia ter com a minha avó residente na cidade dos estudantes e que trabalhava também No IPO desta mesma cidade – sem muito a dizer a respeito, era e continua a ser uma pessoa que se movimenta muito bem nestes circuitos conhecendo as pessoas, etç . Foi numa destas visitas que fomos informados que este grande poeta se encontrava hospitalizado no Hospital dos Covões . Sem demoras, fomos fazer uma visita a este senhor, até á altura desconhecido para mim . Pouco há a acrescentar : Daquilo que me apercebi na altura e daquilo que a minha avó e a minha mãe contam, o senhor demonstrou um saber viver, sendo bastantante simpático, oferecendo-se até para me verificar cuidadosamente com uma colher de sopa a minha prematura dentição . De certa forma, sinto-me até privilegiado em ter conhecido um dos maiores poetas de Lingua Portuguesa de sempre . Para terminar, peço desculpa por quaisquer erros ortográficos, ou frases sem grande sentido e desprovidas de pontuação. A esta hora já devia estar a dormir . É o que vou fazer a seguir, deixando primeiro aqui o verso prometido :

Transfiguração

Tens agora outro rosto, outra beleza:
Um rosto que é preciso imaginar,
E uma beleza mais furtiva ainda…
Assim te modelaram caprichosas,
Mãos irreais que tornam irreal
O barro que nos foge da retina.
Barro que em ti passou de luz carnal
A bruma feminina…

Mas nesse novo encanto
Te conjuro
Que permaneças.
Distante e preservada na distância.
Olímpica recusa, disfarçada
De terrena promessa
Feita aos olhos tentados e descrentes.
Nenhum mito regressa….
Todas as deusas são mulheres ausentes…

P.S.: Este poema é dedicado a todas as mulheres ( familia, amigas …) que de certa forma, tornam a minha vontade um pouco mais colorida 😀 Elas sabem quem são ;P

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